
Perdi as contas de quantas vezes ouvi “brigou com o namorado?” enquanto chorava em algum lugar público. Sim, eu, uma jovem mocinha, não tenho outro motivo pra derramar minhas preciosas lágrimas se não por um homem. É isso mesmo?!
Chorar, ao meu ver, no ver de outras pessoas, é coisa de gente fraca, é coisa triste, covarde e o que é pior: deveria ser raro.
Parece absurdo falar, mas juro que me sinto vítima de preconceito por que sou uma chorona assumida. Faço isso quase que diariamente e, não, não faço apenas por causa de namorados – embora minha vida amorosa não ande menos dramática que uma novela mexicana, mas deixa estar.
Tens dias sim que eu choro de tristeza, tem dias que eu quero chorar de raiva. Mas nem sempre.
Há os dias em que o choro brota sozinho, como se fosse a representação física das lembranças que passam pela memória. Talvez por alguma felicidade momentânea, de um acontecimento corriqueiro mas importante. E eu choro.
Que há nessa mania estranha que as pessoas tem de fingir se preocupar pra na verdade se importar com o que os outros fazem ou deixam de fazer? Às vezes penso que é o exercício da fofoca simplesmente pelo exercício da fofoca. Ou um olhar pro outro e sentir peninha dele pra não enxergar as caracas do seu próprio umbigo. Eca.
Pois hoje, pra todos vocês que tanto se importam, saibam: eu não me importo. E te digo no bom vocabulário paraense: Eu choooooro!